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19 de julho: Tragédia no Império: O grande incêndio de Roma completa mais um ano de mistérios e mitos

Na noite de 19 de julho de 64 d.C., um pequeno foco de incêndio começou em uma série de lojas comerciais perto do Circo Máximo, o gigantesco estádio de corridas de bigas...

Na noite de 19 de julho de 64 d.C., um pequeno foco de incêndio começou em uma série de lojas comerciais perto do Circo Máximo, o gigantesco estádio de corridas de bigas em Roma. Ninguém imaginava que o que parecia um acidente corriqueiro se transformaria em uma das maiores catástrofes do mundo antigo: o Grande Incêndio de Roma.

Alimentado por ventos fortes e pela arquitetura compacta da cidade — repleta de prédios de madeira inflamável —, o fogo se espalhou rapidamente. O incêndio durou cerca de seis dias intensos, foi controlado temporariamente, mas voltou a queimar por mais três dias. Ao final do desastre, das 14 regiões que compunham a capital do Império Romano, três foram completamente destruídas e sete ficaram em ruínas.

Nero e a Lira: Fato ou Fake News da Antiguidade?

A imagem mais famosa que a cultura popular herdou desse evento é a do Imperador Nero, vestido com trajes teatrais, tocando sua lira no topo de uma torre enquanto assistia à cidade queimar. Mas a história real é bem diferente.

Historiadores modernos e relatos da época (como os de Tácito) apontam que Nero nem sequer estava em Roma quando o fogo começou; ele estava em sua cidade natal, Antium (atual Anzio), a cerca de 50 quilômetros de distância. Ao saber da tragédia, ele retornou imediatamente e tomou medidas práticas de alívio à crise:

  • Abriu seus próprios palácios e jardins para abrigar os desabrigados.

  • Providenciou suprimentos de comida para evitar a fome da população.

  • Instituiu novas regras de segurança para a reconstrução da cidade, exigindo maior espaçamento entre os prédios e o uso de pedras em vez de madeira.

A lenda de que ele teria causado o incêndio para reconstruir a cidade à sua imagem foi espalhada por seus inimigos políticos no Senado Romano, criando uma das primeiras e mais duradouras “fake news” da história.

A Perseguição aos Cristãos

Para desviar as suspeitas que caíam sobre si, Nero precisou encontrar um bode expiatório rapidamente. Ele escolheu uma seita religiosa que crescia nas periferias de Roma e já era vista com desconfiança pela população: os cristãos.

Esse evento marcou o início da primeira grande perseguição oficial do Império Romano contra o cristianismo. Centenas de cristãos foram presos e executados publicamente nas arenas, incluindo, segundo a tradição católica, os apóstolos Pedro e Paulo.

O dia 19 de julho de 64 d.C. não mudou apenas a geografia da maior cidade do mundo na época, mas alterou os rumos políticos e religiosos do Ocidente para sempre.

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